Qualquer pessoa que aceda ao site da Decentraland é convidada a transformar-se num pioneiro da Genesis City. A cidade, cujo nome lhe assenta como uma luva, não é, porém, um local à espera de colonos ao estilo dos que chegavam ao Oeste mistificado nos westerns (“Esta terra foi conquistada a tiro, Price! E portanto, só vamos perdê-la a tiro. Está semeada de morte”, dizia o personagem interpretado por Lee J. Cobb no clássico “A Velha Raposa”, de Henry Hathaway).

O Oeste de Decentraland está pensado para ser, em princípio, mais civilizado, embora seja regido pelas leis do mercado, que são as mais cruéis de todas. A própria plataforma apresenta-se como um mundo virtual descentralizado, propriedade dos utilizadores, criado e regido por eles. Para garantir este ideal de realidade virtual – com retoques de anarquia liberal – Decentraland usa a tecnologia Ethereum blockchain, que serve igualmente para realizar transações económicas. Na verdade, já foram vendidas 90 000 parcelas da Genesis City, e um utilizador chegou mesmo a pagar a notável quantia de 160 000 euros por um pedaço de terreno virtual.

A venda de parcelas gerou dinheiro suficiente (16 milhões de dólares) para pôr o projeto em curso, e os seus impulsionadores acreditam que será a atividade dos próprios utilizadores a permitir manter a plataforma. Mas vender propriedades virtuais não é o único – nem o principal – objetivo da Decentraland. O seu criador, o argentino Esteban Ordano, remonta ao sucesso de Second Life para explicar o que esteve na origem da criação do seu mundo virtual, e garante que o que os utilizadores procuram quando põem os seus óculos de VR e entram em Genesis City é uma experiência lúdica diferente, na qual a imaginação é o único limite. Jogar num casino online, assistir a concertos, construir coisas, participar em videojogos, montar um negócio, experimentar um novo modelo de carro…Teoricamente, tudo é possível em Decentraland. Para Ordano, além do valor do mundo virtual em si, o seu projeto tem outras qualidades que o tornam interessante: “Para mim, Decentraland tenta recuperar alguns valores na sociedade que se foram perdendo com a chegada dos dispositivos móveis. Dois desses valores são a privacidade e a segurança dos dados.” Na sua plataforma, a segurança da informação é garantida pela descentralização da tecnologia Blockchain. Desta forma, não há bases de dados que possam ser vendidas, pirateadas ou perdidas caso a empresa proprietária desapareça.

A publicação “Business Insider” garantia, num artigo publicado no passado mês de setembro, que alguns dos que investiram na plataforma tinham obtido um lucro de 500% em relação ao valor pago pelas parcelas que compraram. O tempo dirá se estaremos perante mais um bluff digital ou se esta será a grande ideia que impulsionou definitivamente o mundo da realidade virtual.

 

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Entrevista e edição: Pedro García Campos, Cristina del Moral
Texto: José L. Álvarez Cedena